Acabo de voltar do “Barbas” e do “Dois pra Lá/Dois pra cá”. São dois blocos de Carnaval diferentes, mas muito similares na quantidade de gente ébria e feliz, cantando como se o mundo fosse acabar amanhã. Aliás, acho que é a coisa mais amo no Carnaval: essa sensação de que o mundo vai enfrentar o Apocalipse a qualquer momento, e que seria bom se todos realmente se voltassem para o que realmente importa, que é ser feliz.
O Barbas tem várias características engraçadas. Primeiro que, quem coordena o bloco na frente é um cara de barba, tipo “véio-do-rio-da-novela-pantanal”. Ele fica organizando o povo na frente, vendo se o carro de som não atropela ninguém, essas coisas super úteis. Segundo, é um bloco que fica tocando a mesma música sem parar, o chamado “samba-enredo” do bloco. Sinceramente, eu fujo correndo desses, pois acho chato, chato, chato, ficar ouvindo a mesma batida de música por duas horas (para vocês terem uma idéia, a música das escolas de samba do grupo especial só dura uma hora e vinte minutos, tempo máximo permitido para o desfile).
Mas o Barbas conta com um pequeno grande detalhe: ele tem um caminhão pipa! Que anda atrás do carro de som! Que tem uma mangueira cuja água gelada é jogada DIRETO no público morto de calor! E uma loira gordinha que sabe manejar a mangueira (no bom sentido) como ninguém!
Levei jatos de água na cabeça, feliz. Naquele momento, parecia que todos tinham voltado a ser crianças, quando jogar água em alguém era algo que rendia boas gargalhadas, e broncas das mães, quando percebiam nossas roupas molhadas.
Após o Barbas, que é em Botafogo, em uma das transversais da rua da Passagem, andei mais alguns metros até a rua Álvaro Rodrigues, onde estava passando o “Dois pra lá/dois pra cá”. O que o outro bloco não tinha de música, esse tinha de sobra. A bateria só toca marchinhas de carnaval bem antigas. Ouvi, alegre que nem pinto no lixo, pérolas como “Tomara que chova três dias sem parar”; “Não me leve a mal, vou beijar-te agora, hoje é Carnaval”; “E as pastorinhas...”. Letras gentis, belas, com aquele ritmo que não envelhece, porque música boa nunca cai no esquecimento.
O único senão de tudo é que tive que voltar a pé de Botafogo para Copacabana, porque, eh, o meu bloco fechou a rua e o trânsito de acesso para o bairro da Pincesinha do Mar. Mas o trajeto foi rápido. Porque era só contar os rostos felizes e as pessoas dançando para esquecer os pés doloridos e o cansaço. E simplesmente sentir-se bem, sentir-se melhor com a vida. Sentir-se viva!
E que venham os blocos de amanhã!
P.S. -Por quê não se vende bebidas Ice nos camelôs dos blocos? É só cerveja, água, cerveja, água...comércio ilegal, faça-me um favor: invista na di-ver-si-da-de!
sábado, 21 de fevereiro de 2009
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