terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Sobre Casamentos

Uma grande amiga vai casar em breve e, em meio às especulações sobre o que vestir, comecei a lembrar sem querer aos casamentos que tive o prazer de assistir, quando era criança e depois adolescente, em Bangu e em Realengo (os bairros mais quentes e mais inapropriados para se vestir um longo, sedoso, e calorento vestido de noiva). Lembrei do casamento da prima da Vitória, cujo nome esqueci completamente, e que era cega como um morcego, míope mesmo, e casou de óculos (naquela época, em minha pré-adolescência, usar lentes não era comum, e algo bem mais caro do que hoje). Como não queria aparecer de óculos nas fotos, tirava sempre que o retratista aparecia para cumprir sua função no evento. Mas como não enxergava nada sem eles, e apertava os olhos, inconsciente ou conscientemente, para ver melhor, ficou com cara de fuinha em todas as imagens do álbum de seu casamento.

Recordei ainda do primeiro casamento da minha irmã, em que os sobrinhos do meu cunhado, que eram “daminhos” de honra, acharam um barato os degraus do altar e, enquanto o padre realizava a cerimônia, ficavam saltando daquilo com pequenos gritos de “uhú, uhú”, enquanto os pais dos pequenos seres e meu ex-cunhado achavam tudo aquilo uma gracinha. Até que o próprio padre interrompeu a cerimônia de casamento e disse: “Chega! Chega disso! Vocês dois, PAREMJÁCOMISSOO! Saiam já daí e fiquem ali do lado até a cerimônia acabar."

Lembrei também do casamento do Paulo com a Gisele, o melhor amigo do meu ex-cunhado que casou com a então melhor amiga da minha irmã. O olhar dos dois, quando se cruzaram pela primeira vez após ela entrar na Igreja foi um dos olhares mais cheios de amor que eu já tive o privilégio de presenciar.

Mas esse não foi o casamento mais marcante que presenciei, durante a minha estadia na zona oeste do Rio. Essa classificação eu destino ao casamento de Verônica, minha amiga e de Waleska, em Bangu. Não lembro do nome da casa de festas, mas era, é claro, em um lugar muito quente (parênteses: não sei se era muito caro na época, mas não lembro de ter ido praticamente a nenhuma festa de casamento com ar-condicionado, naquela época. Era tudo no ventilador mesmo). Enquanto me abanava na festa com a Waleska, me perguntando se aquele lugar poderia ser mais quente ou se simplesmente o vento esqueceu o caminho para Bangu, o responsável pelo cerimonial do evento (parênteses: o-cara-que-fica-com-a-roupa-mais-quente-do-evento-depois-do-noivo), anunciou, com um sorriso no rosto: “E agora, os noivos vão dançar a primeira música como marido e mulher, e escolheram sua canção para esse momento!”.

Todo mundo pára de conversar. Os dois vão para o centro do salão, e eu comentava com Waleska como Veronica estava bem composta naquele vestido de renda, mesmo com a temperatura de 40 graus Celsius, quando parei no meio de minha fala, ao ouvir os primeiros acordes da tal “canção”. E escancaro a boca, de espanto.

A música já iniciava seus primeiros versos.

“Tô fazendo amor/com outra pessoa/
Mas meu coração/vai ser pra sempre seu”

Olho para a Waleska. Ela está com os olhos esbugalhados, olhando para mim com o mesmo ar de espanto que estava em metade das pessoas da festa, que começavam a rir e cochichar, enquanto os noivos, felizes, nem aí para o bafafá que criaram, rodopiavam no salão.
Pigarrei e perguntei para a Waleska:

“Er...você sabia disso?”

“Disso? Disso? Eu nem sei O QUÊ é isso!”

“Mas...” eu continuava a falar, confusa... “Quem é ela na história? A outra pessoa ou a que tem o coração do cara??”

Waleska olhou para eles, e comentou:

“Quer saber? Acho que isso não importa agora.”

Olhei para os dois e vi que ainda estavam dançando juntinhos, abraçados. Felizes mesmo. Suspirei e respondi:

“Waleska, você é uma sábia!”

E viva os casamentos na zona oeste!

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