Nunca fui muito boa com plantas. Minto. Sempre fui péssima com plantas. Matei todas as que tentei ter, ao ponto de, quando me mudei da casa de meus pais, minha mãe ter dado um presente de despedida: uma orquídea...de plástico. Mães realmente conhecem a gente.
Mas minha falta de jeito com plantas nunca impediu que eu admirasse os outros que conseguiam fazê-las viver, por anos a fio. Minha mãe, dona Nair, é uma delas. Quando éramos crianças, tínhamos violetas, e todos os outros tipos de plantas pequenas para se ter em casa. É claro, éramos adeptos das samambaias também (parênteses: onde foram parar as samambaias? Lembro que, quando era pequena, toda casa em que eu entrava tinha uma samambaia chorona em algum canto. Será que é um hábito dos subúrbios? Ou era moda ter samambaia na década de 80?).
Li um livro que me impressionou muito quando tinha uns 12 anos: “O menino do dedo verde”. Tistu era um garotinho que não podia tocar uma terrinha, que lá crescia uma plantinha. Tentei isso várias vezes, mas tudo que consegui foi sujar absurdamente as mãos de terra e levar bronca da minha mãe por revolver o quintal comunitário do prédio onde morávamos, em Realengo.
Hoje, visto que sou dona da minha própria casa pela primeira vez na vida, resolvi tentar apagar meu péssimo histórico com plantas, e arrumar um ser vivente para ficar na minha casa. Ok, admito que o que eu queria mesmo era um cachorro ou um gato. Mas se sou péssima com plantas, imagine criar um animal de estimação. Então, comecemos com coisas mais simples, pensei eu.
No centro do Rio, há trocentas lojinhas que vendem plantas, e até mesmo ruas especializadas nisso. É o caso da rua ao lado da Igreja do Carmo, no começo da rua Primeiro de Março; e a chamada Rua do Verde, perpendicular à rua sete de setembro. Bom, fui nessa última. Comecei a explicar ao vendedor de uma das lojinhas todo meu histórico com plantas, e como queria uma planta forte, que não morresse facilmente. Tive a idéia de ver quanto era uma planta chamada “Pau d’água”, muito bonita, e cujo exemplar eu já tinha admirado em um dos setores do meu trabalho. E perguntei ao atendente, que me ouvia calado, quais seriam as outras plantas “fortes” que ele me recomendaria.
E ele respondeu da seguinte maneira:
“Quem tem mão ruim com planta mata qualquer coisa, independente da planta ser forte ou não.”
Fiquei muda com o choque das palavras. Ele depois falou para eu ficar a vontade para ver qualquer coisa que eu quisesse, mas já tinha perdido o tesão pela loja e também por comprar plantas naquele dia.
Apesar de ter considerado o atendente um grosseirão, em um primeiro momento, tentei me colocar no lugar dele. Ora, ali estava um homem que gostava de plantas, diante de uma pessoa declaradamente assassina de plantinhas. E como se não bastasse, ia levar uma de suas amadas delicadas para casa, e possivelmente vitimá-la fatalmente, devido a suas parcas habilidades.
Pensei que talvez ele estivesse certo. Plantas não são para mim mesmo. Afinal, quantas eu já matei até agora? Isso quer dizer alguma coisa não é?
Então, quando cheguei em casa. olhei para a grande orquídea de plástico que está na minha mesa da sala.
Mudei de idéia. Decidi que, se não nos convencermos que podemos mudar quem somos, não poderemos mudar absolutamente nada no mundo em que vivemos. E precisamos tanto, tanto de mudanças...!
Vou comprar uma orquídea. E tentar fazê-la viver o máximo que eu puder. Não vou pensar que vou matá-la; vou imaginar que ela vai viver, e dar alegria à minha casa, tão cheia de plantas de plástico. Porque, acho que tentar já pensando em perder é pior do que nunca ter tentado.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
terça-feira, 12 de maio de 2009
Fim de Semana no Rio
Uma das coisas mais irritantes em se morar no Rio de Janeiro é a incrível obrigatoriedade em se divertir no final de semana. Não sei como é na maioria dos outros estados; mas acredito que em nenhum outro lugar você vai ter que se virar de forma tão premente para ter um excelente fim de semana, e assim satisfazer seu círculo social na segunda-feira, de volta ao trabalho.
Nunca repararam? Cariocas do Rio, notai: uma das primeiras coisas em que somos interrogados, e que interrogamos na segunda, é perguntar como foi o final de semana de nossos amigos ou colegas de trabalho. Nestes momentos, atreva-se, nem que seja por um momento, dizer que ficou “em casa, dormindo e vendo televisão”; não importa onde você trabalha, o resultado é o mesmo: o olhar de incredulidade do outro, acompanhando de um “ah é?”, que conta com um misto de pena e de desinteresse, para em seguida o interlocutor trocar de assunto.
Ou então, pior: seu colega ou amigo começa a discutir com você, questionando seus motivos de não aproveitar o final de semana. “Como assim? Nem foi para a praia?” (ou quando esteve chovendo no final de semana: “Ah! Não quis nem pegar um cineminha?”). E somos colocados na posição absolutamente ridícula de nos defendermos por não termos tido um final de semana "divertido", por assim dizer, respondendo coisas como “ah, estava muito cansado (a), o trabalho acabou comigo” ou “pois é, acabei de sair de uma gripe” e ainda “estava querendo um tempo sozinho (a)”.
Adoro passar o fim de semana no Rio. Acho que deve ser uma das poucas cidades em que se tem tanta coisa para se fazer, de praia a bares; restaurantes; e até mesmo eventos turísticos (como ir ao Jardim Botânico, ou pegar o bondinho do Pão de Açúcar). Mas às vezes gostaria de ter o direito de não querer fazer nada absolutamente nada no fim de semana.
Já tive sábados e domingos estupendos em que fiquei os dois dias vendo filmes antigos na TV a cabo, na cama. E não, não estava doente. Simplesmente queria “morgar” na frente da televisão.
Para muitos, isso pode parecer uma completa perda de tempo. Mas sinceramente? Prefiro fazer as coisas quando realmente quero, e não quando o politicamente correto social demanda.
Nunca repararam? Cariocas do Rio, notai: uma das primeiras coisas em que somos interrogados, e que interrogamos na segunda, é perguntar como foi o final de semana de nossos amigos ou colegas de trabalho. Nestes momentos, atreva-se, nem que seja por um momento, dizer que ficou “em casa, dormindo e vendo televisão”; não importa onde você trabalha, o resultado é o mesmo: o olhar de incredulidade do outro, acompanhando de um “ah é?”, que conta com um misto de pena e de desinteresse, para em seguida o interlocutor trocar de assunto.
Ou então, pior: seu colega ou amigo começa a discutir com você, questionando seus motivos de não aproveitar o final de semana. “Como assim? Nem foi para a praia?” (ou quando esteve chovendo no final de semana: “Ah! Não quis nem pegar um cineminha?”). E somos colocados na posição absolutamente ridícula de nos defendermos por não termos tido um final de semana "divertido", por assim dizer, respondendo coisas como “ah, estava muito cansado (a), o trabalho acabou comigo” ou “pois é, acabei de sair de uma gripe” e ainda “estava querendo um tempo sozinho (a)”.
Adoro passar o fim de semana no Rio. Acho que deve ser uma das poucas cidades em que se tem tanta coisa para se fazer, de praia a bares; restaurantes; e até mesmo eventos turísticos (como ir ao Jardim Botânico, ou pegar o bondinho do Pão de Açúcar). Mas às vezes gostaria de ter o direito de não querer fazer nada absolutamente nada no fim de semana.
Já tive sábados e domingos estupendos em que fiquei os dois dias vendo filmes antigos na TV a cabo, na cama. E não, não estava doente. Simplesmente queria “morgar” na frente da televisão.
Para muitos, isso pode parecer uma completa perda de tempo. Mas sinceramente? Prefiro fazer as coisas quando realmente quero, e não quando o politicamente correto social demanda.
Bisbilhotando no Supermercado
Sou muito intrometida quando vou ao supermercado. Isso porque, como moro sozinha, sempre faço compras sozinha e, quando estou na fila para pagar, começo a observar, por distração, os carrinhos de compras dos outros. E começo a conjecturar que vida cada um deve levar, tendo em vista os produtos a serem comprados por cada pessoa.
Tem sempre o cara ou mulher que eu chamo de “o solitário que não sabe cozinhar”. São os que tenho mais pena. Ele ou ela sempre tem no carrinho um monte de comida enlatada ou pronta de supermercado, ou então aquelas refeições de microondas. E, é claro, um monte de refrigerante e/ou cerveja. Isso eu já notei: esse tipo de cliente sempre leva bebidas não muito saudáveis. Para compensar a solidão, talvez?
É claro que temos, também, “as famílias grandes que enchem dois carrinhos para compra do mês e são um terror da demora quando ficam na sua frente na fila”. O (s) carrinho (s) desses clientes é impressionante. Dava para matar a fome de um pequeno país africano com a comida que compram. E a quantidade de papel higiênico? Dava para escrever um livro com a quantidade de papel. Gosto muito de olhar para esses carrinhos porque também sempre tem uma criancinha sentada ou pendurada no carrinho, segurando ou um chocolate, ou um biscoito ou qualquer outra coisa que os pais tenham dado para o bebezinho parar de sair correndo e brincando pelos corredores do supermercado.
Temos ainda “os caras ou mulheres de grandes eventos de fim de semana”. É aquele grupo, normalmente de homens, que enchem o carrinho de carne, cerveja, carvão e cachaça, para o churrascão de final de semana. Se você parar para prestar atenção, é muito divertida a conversa desse grupo. Tem sempre um cara ou garota no celular tentando convencer alguém “parar de ser otário e se arrumar para o churrasco” e acrescentando que vem “fulano, siclano, até o primo de São Paulo” para evento. Algumas vezes eles já começam a beber na fila, e jogam as latinhas de cerveja no carrinho (ou não) para posterior conferência e pagamento.
E não podemos nos esquecer "da cliente ou do cliente natureba 100%” cujo carrinho me dá nos nervos. Porque absolutamente tudo é saudável. Só tem frutas, legumes, peixe fresco, cereais, no máximo água gaseificada, e nem sombra de refrigerante, nem mesmo diet. Esse tipo de compra me deixa incomodada porque sei que a pessoa, normalmente uma mulher magérrima, está fazendo exatamente o que eu deveria fazer - mas sempre acho uma desculpa absolutamente deliciosa para não fazê-lo -, que é comer direito.
Por fim, chegamos à minha pessoa: “a solitária que gosta de cozinhar”. Gosto muito dessa pessoa, particularmente (eh!). Isso porque a variedade de itens no carrinho dessa pessoa vai desde cogumelos a pano de prato. No carrinho tem sempre muita coisa para fazer pratos completamente malucos, cujas receitas ainda não foram escritas e são inventadas de acordo com a disponibilidade de itens comestíveis. Tem sempre também quatro tipos de bebida, de leite a suco de laranja, porque essa pessoa é tão indecisa que nem sabe o que vai querer beber nos próximos dias. O gosto não segue um padrão definido. Na verdade, padrão definido não é o que se deve esperar dessa pessoa. E a quantidade de comida é sempre muito além do que ela vai consumir. Isso porque está sempre dando jantares surpresa-relâmpago e gosta de estar preparada para qualquer eventualidade.
E mais um detalhe: sempre tem uma garrafa de vinho nesse carrinho. Para ser consumido com os amigos, claro!
O único problema é que essa pessoa acaba gastando mais do que precisa no supermercado e acaba quase sempre repassando comida para a diarista. Mas não tem problema. Gosto dela mesmo assim.
Tem sempre o cara ou mulher que eu chamo de “o solitário que não sabe cozinhar”. São os que tenho mais pena. Ele ou ela sempre tem no carrinho um monte de comida enlatada ou pronta de supermercado, ou então aquelas refeições de microondas. E, é claro, um monte de refrigerante e/ou cerveja. Isso eu já notei: esse tipo de cliente sempre leva bebidas não muito saudáveis. Para compensar a solidão, talvez?
É claro que temos, também, “as famílias grandes que enchem dois carrinhos para compra do mês e são um terror da demora quando ficam na sua frente na fila”. O (s) carrinho (s) desses clientes é impressionante. Dava para matar a fome de um pequeno país africano com a comida que compram. E a quantidade de papel higiênico? Dava para escrever um livro com a quantidade de papel. Gosto muito de olhar para esses carrinhos porque também sempre tem uma criancinha sentada ou pendurada no carrinho, segurando ou um chocolate, ou um biscoito ou qualquer outra coisa que os pais tenham dado para o bebezinho parar de sair correndo e brincando pelos corredores do supermercado.
Temos ainda “os caras ou mulheres de grandes eventos de fim de semana”. É aquele grupo, normalmente de homens, que enchem o carrinho de carne, cerveja, carvão e cachaça, para o churrascão de final de semana. Se você parar para prestar atenção, é muito divertida a conversa desse grupo. Tem sempre um cara ou garota no celular tentando convencer alguém “parar de ser otário e se arrumar para o churrasco” e acrescentando que vem “fulano, siclano, até o primo de São Paulo” para evento. Algumas vezes eles já começam a beber na fila, e jogam as latinhas de cerveja no carrinho (ou não) para posterior conferência e pagamento.
E não podemos nos esquecer "da cliente ou do cliente natureba 100%” cujo carrinho me dá nos nervos. Porque absolutamente tudo é saudável. Só tem frutas, legumes, peixe fresco, cereais, no máximo água gaseificada, e nem sombra de refrigerante, nem mesmo diet. Esse tipo de compra me deixa incomodada porque sei que a pessoa, normalmente uma mulher magérrima, está fazendo exatamente o que eu deveria fazer - mas sempre acho uma desculpa absolutamente deliciosa para não fazê-lo -, que é comer direito.
Por fim, chegamos à minha pessoa: “a solitária que gosta de cozinhar”. Gosto muito dessa pessoa, particularmente (eh!). Isso porque a variedade de itens no carrinho dessa pessoa vai desde cogumelos a pano de prato. No carrinho tem sempre muita coisa para fazer pratos completamente malucos, cujas receitas ainda não foram escritas e são inventadas de acordo com a disponibilidade de itens comestíveis. Tem sempre também quatro tipos de bebida, de leite a suco de laranja, porque essa pessoa é tão indecisa que nem sabe o que vai querer beber nos próximos dias. O gosto não segue um padrão definido. Na verdade, padrão definido não é o que se deve esperar dessa pessoa. E a quantidade de comida é sempre muito além do que ela vai consumir. Isso porque está sempre dando jantares surpresa-relâmpago e gosta de estar preparada para qualquer eventualidade.
E mais um detalhe: sempre tem uma garrafa de vinho nesse carrinho. Para ser consumido com os amigos, claro!
O único problema é que essa pessoa acaba gastando mais do que precisa no supermercado e acaba quase sempre repassando comida para a diarista. Mas não tem problema. Gosto dela mesmo assim.
terça-feira, 5 de maio de 2009
A Voz
Leio nas agências de notícias pela internet que uma operadora de telefonia celular convocou e conseguiu amealhar 13.500 pessoas na Trafalgar Square, em Londres, para realizar um mega karaokê ao ar livre. O vídeo é lindo e pode ser conferido em http://www.youtube.com/watch?v=kHdJR6iUBFM.
Tá, eu sei que é propaganda para pessoas endividadas como eu acharem a T-Mobile engraçadinha, e comprarem celulares modernosos com todas aquelas funções que não precisamos, e que não utilizamos. Mas o vídeo não deixa de ser interessante e bem feito. (parênteses: lembra daquele tempo em que havia propagandas legais, muitíssimo bem feitas e cujas músicas lembraremos até os 80 anos? A do jeans US Top, que tinha aquela música legal, “liberdade é uma calça velha azul e desbotada”; a do leite Parmalat antes da propaganda dos bichinhos, com a música “não se deite sem tomar seu leite”; ou a musiquinha tema do comercial da Piscina Tone. Propaganda pode ser uma coisa boa, minha gente!).
O que me fascinou no vídeo foi o empenho e alegria das pessoas que pegaram um microfone e soltaram a voz em uma praça pública. Havia gente famosa, gente comum; pessoas velhas e pessoas novas; caras mal-humorados e homens risonhos...todos cantando uma das músicas mais belas dos Beatles, “Hey Jude”.
Adoro Karaokês. Quando morava em São Paulo, tinha um em especial que eu adorava ir com meus amigos paulistanos, mineiros e baianos: o Espetinho Cerveja & Cia, na Rua Canuto do Val, se não me engano. Acho que o bairro era Santa Cecília, mas não tenho certeza. O que eu mais gostava naquele Karaokê, é que independente da zona que a nossa mesa fazia, e das músicas mais constrangedoras que cantávamos (para vocês terem uma idéia, o nosso repertório ia de “Borbulhas de Amor” do Fagner a “O Amor e o Poder” de Rosana), eles não nos expulsavam, nem nos discriminavam. É que outros karaokês mais “finos” de São Paulo achavam a nossa turma barulhenta demais. As outras mesas, nesses karaokês metidos a besta, eram repletas de cantores frustrados de churrascaria, que achavam que iam ser “descobertos” como grandes baluartes da musica popular brasileira. Então eles cantavam músicas de Elis Regina, Chico Buarque, Tom Jobim...só músicas respeitadas da MPB. Resultado: nossa mesa era “pulada” na ordem das mesas com direito ao palco; e os garçons nos tratavam mal, doidos para a presença de nossa ausência.
No Rio de Janeiro não há muitos karaokês legais. Tinha um muito manerim na rua Marques de Abrantes, no Flamengo, zona sul do Rio, instalado no bar “Fala a Beça”. Mas teve que ser suspenso, pois atrapalhava o sono dos moradores velhinhos do bairro.
Acho que música e bar são duas combinações deliciosas; e se você pode participar da música, cantando, a noite fica ainda mais divertida.
Lembro de uma noite inesquecível no Espetinho Cerveja, em que um dos nossos amigos da turma subiu no palco para cantar “Born to be Alive”, do Disco Kings. Só que ele só sabia o refrão, que era algo tipo “You See We're Born/ Born/Born /You See We're Born, Born, Born /To Be Alive”. Então ele, na maior coragem e ousadia, inspirou fundo e começou a cantar mais ou menos assim (juntamente com o outro colega, inspiradíssimo):
“Lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá/lá-lá/lá-lá
Lá-lá-lá-lá-lá-lá/lá-lá
Lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá/
Lá-lá-lá
You See We're Born
Born,Born,
You See
We're Born, Born, Born
To Be Alive”
Também entusiasmados com a incrível letra, a maioria do pessoal que estava em nosso grupo também subiu ao palco para cantar junto, com nossos dois colegas.
Não importava se cantávamos mal; se as pessoas apontavam e riam da gente. Era algo tão gostoso simplesmente soltar a voz...
Sinto falta disso. Sinto muita falta. Era uma catarse vocal coletiva, e acho que, até mesmo, terapêutica. Porque não dá para ficar pensando em problemas enquanto se canta “Born to be Alive” em um karaokê pé-de-chinelo nos cafundós de São Paulo...simplesmente não dá tempo. Você fica muito ocupado se divertindo sabe?
Tá, eu sei que é propaganda para pessoas endividadas como eu acharem a T-Mobile engraçadinha, e comprarem celulares modernosos com todas aquelas funções que não precisamos, e que não utilizamos. Mas o vídeo não deixa de ser interessante e bem feito. (parênteses: lembra daquele tempo em que havia propagandas legais, muitíssimo bem feitas e cujas músicas lembraremos até os 80 anos? A do jeans US Top, que tinha aquela música legal, “liberdade é uma calça velha azul e desbotada”; a do leite Parmalat antes da propaganda dos bichinhos, com a música “não se deite sem tomar seu leite”; ou a musiquinha tema do comercial da Piscina Tone. Propaganda pode ser uma coisa boa, minha gente!).
O que me fascinou no vídeo foi o empenho e alegria das pessoas que pegaram um microfone e soltaram a voz em uma praça pública. Havia gente famosa, gente comum; pessoas velhas e pessoas novas; caras mal-humorados e homens risonhos...todos cantando uma das músicas mais belas dos Beatles, “Hey Jude”.
Adoro Karaokês. Quando morava em São Paulo, tinha um em especial que eu adorava ir com meus amigos paulistanos, mineiros e baianos: o Espetinho Cerveja & Cia, na Rua Canuto do Val, se não me engano. Acho que o bairro era Santa Cecília, mas não tenho certeza. O que eu mais gostava naquele Karaokê, é que independente da zona que a nossa mesa fazia, e das músicas mais constrangedoras que cantávamos (para vocês terem uma idéia, o nosso repertório ia de “Borbulhas de Amor” do Fagner a “O Amor e o Poder” de Rosana), eles não nos expulsavam, nem nos discriminavam. É que outros karaokês mais “finos” de São Paulo achavam a nossa turma barulhenta demais. As outras mesas, nesses karaokês metidos a besta, eram repletas de cantores frustrados de churrascaria, que achavam que iam ser “descobertos” como grandes baluartes da musica popular brasileira. Então eles cantavam músicas de Elis Regina, Chico Buarque, Tom Jobim...só músicas respeitadas da MPB. Resultado: nossa mesa era “pulada” na ordem das mesas com direito ao palco; e os garçons nos tratavam mal, doidos para a presença de nossa ausência.
No Rio de Janeiro não há muitos karaokês legais. Tinha um muito manerim na rua Marques de Abrantes, no Flamengo, zona sul do Rio, instalado no bar “Fala a Beça”. Mas teve que ser suspenso, pois atrapalhava o sono dos moradores velhinhos do bairro.
Acho que música e bar são duas combinações deliciosas; e se você pode participar da música, cantando, a noite fica ainda mais divertida.
Lembro de uma noite inesquecível no Espetinho Cerveja, em que um dos nossos amigos da turma subiu no palco para cantar “Born to be Alive”, do Disco Kings. Só que ele só sabia o refrão, que era algo tipo “You See We're Born/ Born/Born /You See We're Born, Born, Born /To Be Alive”. Então ele, na maior coragem e ousadia, inspirou fundo e começou a cantar mais ou menos assim (juntamente com o outro colega, inspiradíssimo):
“Lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá/lá-lá/lá-lá
Lá-lá-lá-lá-lá-lá/lá-lá
Lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá/
Lá-lá-lá
You See We're Born
Born,Born,
You See
We're Born, Born, Born
To Be Alive”
Também entusiasmados com a incrível letra, a maioria do pessoal que estava em nosso grupo também subiu ao palco para cantar junto, com nossos dois colegas.
Não importava se cantávamos mal; se as pessoas apontavam e riam da gente. Era algo tão gostoso simplesmente soltar a voz...
Sinto falta disso. Sinto muita falta. Era uma catarse vocal coletiva, e acho que, até mesmo, terapêutica. Porque não dá para ficar pensando em problemas enquanto se canta “Born to be Alive” em um karaokê pé-de-chinelo nos cafundós de São Paulo...simplesmente não dá tempo. Você fica muito ocupado se divertindo sabe?
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