sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

De como a pagação de mico nos atinge quando menos se espera...

Fui ontem ao hospital para tentar resolver um problema no joelho. Após quatro dias de folia carnavalesca, com direito a muita pulação, meu joelho direito começou a inchar como uma pequena batata e, quando sacos de gelo não mais surtiram efeito, recorri aos seguidores de Esculápio.

O caso é que esse meu bendito joelho sempre foi problemático, desde uma malfadada partida de Twister na minha casa (aquele jogo que tem uma roletinha, e uma toalha alcochoada com bolas de várias cores, e manda você colocar “pé direito no amarelo”; “mão esquerda no vermelho”...no meu caso, o saldo do jogo foi cair com toda a força com meu joelho direito no chão de madeira. Ele nunca mais foi o mesmo desde então). Sempre que forço a barra com exercícios físicos, ou muita atividade, ele acaba chiando e me deixando na mão.

Enfim, me consultei com o ortopedista de plantão, ele pediu que eu fizesse um raio X. Fui até o centro de imagens no hospital, fiz o exame (parênteses: as máquinas de raio X estão ficando assustadoras! São enormes e com uma aparência de robô psicótico. Parecem parentes do Hal, de “2001: Uma Odisséia no Espaço). Após colocar os sapatos, o técnico falou algo como “segue juntinho aqui um pouco para ver se saiu tudo direito”, pegou a chapa na grande máquina e começou a andar.

Segui o cara. E o cara começou a andar. E como andou o homem! Ia por vários corredores, esquerda, direita, esquerda de novo. E eu lá, seguindo o cara. Depois de uns cinco minutos, ele pára em frente a uma escada e começa a subir. Com um esgar de dor silencioso no rosto, começo a subir atrás dele, pensando com raiva porque diabos o técnico, sabendo que estou com problemas e dor aguda no joelho, me faz andar por um tour no hospital, com direito a escadas!

Após o término do segundo lance de escada, gemi baixinho quando o joelho começou a latejar fortemente, obviamente se perguntando se eu não era uma louca de ficar forçando o coitadinho dessa forma, após ter usado e abusado dele nos blocos carnavalescos (parênteses: o que ferrou mesmo o pobre foi o bloco Quizomba, na Lapa. Impossível ficar parado; impossível não pular. A música era tão boa! Me senti em Salvador). Ao ouvir o barulho de meu gemido, o técnico se virou. E olhou para mim com um ar de espanto:

“O que você está fazendo aqui?”

“O que eu estou fazendo aqui? Você mandou que eu seguisse você!”

“Eu não fiz nada disso!”

“Mandou sim. Você disse ‘segue juntinho aqui um pouco para ver se saiu tudo direito’”

“Hein? Não! Eu disse ‘Senta no banquinho ali um pouco para ver se saiu tudo direito!”.

Nós dois nos olhamos por um instante. E o cara não se controla e começa a tentar conter um riso no rosto, sem muito sucesso, ante meu ar desconsolado. Perguntei, exasperada:

“Era para eu ter esperado lá? E eu vou ter que voltar tudo de novo???”

Ainda tentando não rir, o técnico me consolou. Disse que eu poderia voltar próximo ao lugar onde eu estava, sem precisar andar muito, por meio do elevador de funcionários. Suspirei aliviada. Até ele falar:

“Só precisa subir mais um lance de escada até o elevador...”

Nunca, nunca, nunca mais jogo Twister na minha vida!

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