Estava no metrô outro dia. Sabe aqueles avisos que vêem pelo alto falante, e o cara diz, “senhor passageiro, não ultrapasse a linha amarela.”? Pois bem, estava no metrô, e a voz no alto falante disse quase a mesma coisa, mas a entonação era de alguém que estava completamente extenuado. O homem dizia algo como “Senhores, senhores passageiros, POR FAVOR! NÃO ultrapasse a linha AMARELA! Não ultrapasseee! Eu repito, É PROIBIDO UL-TRA-PAS-SAR A LINHA AMAREEELA!”.
O tom foi tão nervoso que as pessoas nas plataformas se entreolharam, confusas. Mas depois que a voz foi embora, todos voltaram ao que estavam fazendo antes de serem interrompidos pelo extenuado anúncio.
O stress, assim como coca-cola, chiclete, e chapinha para cabelo, tornaram-se comuns entre nós. Nem nos assustamos quando percebemos que alguém está correndo pela rua; ou andando apressadamente pelas escadas do metrô ao sair da plataforma; ou chorando e no ponto de ônibus porque perdeu a condução. Achamos normal. “Isso acontece” pensamos, e voltamos a pensar em coisas mais agradáveis.
Me preocupa o fato de nos acostumarmos demais ao desconforto do outro. Sinto que não somos mais conectados, como humanidade. Parece que, sempre que a maioria, eu inclusive, percebe o nervosismo de um estranho, acredita que isso não é problema seu, e segue com seu caminho. É claro que há casos e casos; na avenida Rio Branco, no centro da cidade do Rio, algumas pessoas ainda reagem quando vêem alguém sendo assaltado, por exemplo. Mas você pode perceber, que são uma, duas, cinco pessoas que reagem e tentar ajudar alguém em sofrimento, quando existem 20, 30, 50 ao redor que nada fazem. Apenas observam. E deixam para lá.
Eu queria perguntar para o cara do alto falante porque ele estava tão nervoso. E queria ter ajudado mais, quando vi pessoas precisando de minha ajuda, de qualquer ajuda, na rua. Mas como todos, sinto-me contaminada com uma onda de apatia que parece assolar o mundo.
Queria saber a resposta para parar de me sentir assim. Queria mesmo.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
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Oi Ale, imagine a cena: feriado numa estância hidromineral, cidade pequena, calma, pousada bucólica, sol, passarinhos e uma senhora por volta de 70 ou 80 anos xingando um rapaz de palhaço, palhaço, palhaço. A cena foi no estacionamento da tal pousada bucólica. A senhora, com seu coque e jóias de dourado reluzente e Hilux prateada, destoava da ambientação relax do lugar. O palhaço, quer dizer, o rapaz, estava sendo achincalhado porque estacionou seu carro popular ao lado do carrão da madame atrapalhando a manobra que a mesma tentava fazer para sair do estacionamento. Atrapalhando quer dizer que ela teria que manobrar um pouquinho mais para um lado e para o outro, só isso. Tão simples que ela conseguiu tirar da vaga, mas antes de sair soltouo verbo contra o rapaz. Indignado, ele perguntou porque ela o xingava, se ela nada havia feito ou dito para ela. Ela respondeu que ele havia feito sim. Aí, o sangue do rapaz ferveu. Ele disse: eu não xinguei, não faltei com respeito, mas a senhora está me ofendendo e eu não vou ficar calado. "Vá a m...". Nisso, o senhorzinho que acompanhava a madame, tomou as dores e partiu pra cima do rapazola acionando a turma do deixa-disso da pousada. Parte integrante da turma, o Paulo tratou de afastar os briguentos antes que se tocassem. Tudo parecia acabar bem, quando, sem se conter, o Paulo solta a seguinte frase para a senhorinha: "Tá satisfeita? Conseguiu o que queria? A senhora ficou provocando o rapaz até causar a briga. Pra que isso? Pra ver baterem no seu marido?" Irritado com a insinuação de falta de físico para a briga, o velhinho parte pra cima do Paulo e é novamente contido pela turma do deixa-disso. Do alto dos seus 1,90 metros e 120 quilos, o Paulo aina vira para a madame e fala para a muiher tirar o marido de lá antes que ele se machuque. O resultado da confa foi: nenhum tapa, soco ou murro. A velhinha e o marido terminaram o fim-de-semana mais estressados que antes e o Paulo fez uma nova turma de amigos.
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