Estou lendo um livro muito interessante, “As seis mulheres de Henrique VIII” uma biografia compilada sobre as pobres fêmeas que tiveram o azar de se envolver com o pai da Igreja Anglicana. O livro tem me ajudado nos meus próprios estudos de história, além de ser praticamente uma revista Caras do século XVI: há sexo, traição, romance, drama, mortes trágicas.
Mas tem um detalhe sobre a primeira rainha de Henrique, Catarina de Aragão, que me chamou atenção e o qual não consigo parar de pensar. No livro, a autora Antonia Fraser conta que a primeira mulher de Henrique costurava TODAS as camisas do marido. A princípio, pensei que Antonia estivesse se referindo ao hábito de consertar camisas. Mas não: a rainha FAZIA todas as camisas do rei. Como uma costureira faria, entende?
Apesar de saber que, naquela época, as mulheres nobres ou não eram “educadas nos afazeres domésticos” (uma frase tão clichê...) a informação me fez pensar. Isso porque o tema sobre costura tornou-se próximo aos meus próprios afazeres, depois de ter penado durante duas horas para consertar um descosturamento da borda de meu edredom. Isso mesmo, duas horas. E ficou uma completa barafunda, sem tirar nem por. Nem consigo imaginar qual seria o grau de dificuldade de fazer uma camisa.
Minha mãe saberia fazer uma camisa. Aliás, pelo que converso com amigos que têm em torno de minha idade, 31 anos, era comum que, no tempo de nossa infância, nossas mães tivessem uma máquina de costura em casa, para fazer coisas que iam desde consertar uma costura até vestidos e camisas. Até hoje minha mãe é craque na máquina de costura. Quando ela abre a máquina Singer, velha, pesadíssima, que deve ter a minha idade, as minhas sobrinhas mais novas, Laura de quatro e Luiza de dois anos, ficam fascinadas rondando aquilo, perguntando o que é, para que serve...minha mãe explica com paciência e eu pergunto para elas se elas querem aprender a costurar. “Quero!”, berram as duas, em uníssono.
Quando era pequena, eu não quis de jeito nenhum. Nem minha irmã mais velha. Minha mãe tentou nos ensinar a pintar a óleo; a fazer caixinhas de madeira; vasos de papel jornal; cartões de papel vegetal; tricô; crochê. Sem sucesso. De todas essas atividades, minha irmã e eu aprendemos mais ou menos a fazer cartões e crochê. Mas não nos esforçamos para deter essas habilidades, infelizmente. De minha parte, a coisa que mantenho bem dos ensinamentos de minha mãe é sua culinária, mistura das cozinhas carioca, mineira e cearense (ou seja, brasileirona mesmo), que vão desde a galinha ao molho pardo a pizza de batata e farofa cearense.
Mas é interessante notar que as mães da minha geração tinham tantas habilidades domésticas úteis, que não se reproduziram em suas filhas, ou filhos. Nenhum de meus amigos ou amigas próximas a minha idade sabe pintar, tricotar, ou fazer caixinhas de madeira. Alguns nem sabem cozinhar (essa foi para você Renatinha, rs!).
Isso tudo veio à baila porque estou acompanhando Lost, a série que trata de sobreviventes de um desastre de avião tentando sobreviver numa ilha maluca. Na boa? Se eu estivesse na ilha, me jogavam na água. Porque eu não teria praticamente nenhuma habilidade manual ou doméstica que ajudasse a um grupo perdido em uma ilha deserta.
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