Gostaria que, um dia, alguém inventasse uma maneira de nos transportarmos no tempo. Mas que essa viagem ao tempo não fosse destinada a presenciar momentos históricos, tipo na época da declaração da Independência, ou no dia em que inventaram o escorredor de arroz. Queria que pudéssemos viajar para os momentos mais marcantes de nossa vida. E presenciá-los, vivê-los tudo de novo, quantas vezes quiséssemos.
Sempre tenho esses desejos quando acabo de passar por um momento espetacular. Como os dias de nascimento de minhas duas sobrinhas, Laura e Luiza. Laura, agora com quatro anos, nasceu de olhos abertos, e parecia que nos observava com atenção pelo vidro do berçário, os dedinhos da mão direta tocando levemente o queixo. E quase dois anos depois, Luiza nasce também de noite, também de olhos abertos, piscando para o mundo, e com a mesma mãozinha direita roçando a bochecha. Ou quando me apaixonei pela primeira vez, a dor e a delícia de encontrar a pessoa na escola todo o dia, querendo que ele me olhasse, as borboletas flutuando no meu estômago...ou ainda quando passei o primeiro ano novo na praia de Copacabana, e vi os fogos de artifício que sempre vi pela televisão ao vivo, pela primeira vez, ao lado da minha mãezinha, que não parava de pular como uma criança, falando o tempo todo: “Que lindoo, que lindo!”. Foi tão legal...poucas vezes vi minha mãe tão feliz, tão absolutamente extasiada. E, é claro, o momento em que eu vi a banda da minha adolescência, Pearl Jam, fazer o que seria o melhor show que assisti na vida; um épico, uma catarse coletiva de 40 mil pessoas, felizes, cantando músicas que são, até hoje, a trilha sonora da minha vida.
Fui ao show do Radiohead na última sexta. Foi como estar ali e não estar ali. Porque já tinha visto aquela cena mil vezes imaginada na minha cabeça, e é lógico que nada é exatamente igual ao que imaginamos, nunca. Então, as duas cenas ficavam oscilando na minha cabeça, absolutamente encantadoras. Absolutamente perfeitas.
Hoje fico com o show na minha cabeça, lamentando que ainda não tenham inventado uma possibilidade de se transportar novamente para aquelas cenas inesquecíveis que guardamos em nossa memória.
Uma vez, vi em um filme, acho que foi no “À Espera de Um Milagre” do Tom Hanks, um relato interessante, do qual me recordo até hoje. Um dos prisioneiros que estavam em uma prisão de condenados à morte era um índio de meia idade. Ele foi informado que seria executado na cadeira elétrica em breve. Ao saber disso, perguntou para Tom Hanks, que interpretava um dos guardas, se ele acreditava em vida após a morte. E depois contou uma história, de que na aldeia dele, acreditava-se que um homem quando morria ia para um lugar onde as melhores lembranças dele estavam guardadas. E então ele revelou que, quando tinha 18 anos, ele se casou com uma moça de sua aldeia. Que ela era linda e que ele a amava com todas as forças. Que em noites estreladas e de lua cheia eles se deitavam juntos, nunca se cansando do corpo um do outro. “Foi a melhor época da minha vida”, resumiu o condenado à morte, que parecia expressar um desejo intenso de que a crença de sua aldeia estivesse certa...
Gostaria de ter um lugar recheado de lembranças para ir. Às vezes acho que poderia passar a vida inteira presa em minhas próprias lembranças.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Só postei para mandar um beijo pra Laura, essa menina linda de quatro aninhos, charmosa, praticamente uma lady...
ResponderExcluir