Há dez dias estou de férias, e há cinco estou na Grécia. Ao meu redor, pessoas de diferentes nacionalidades passeiam pelo ferry boat, um grande navio dividido em várias classes, com cadeiras e cabines (óbvio que estou na econômica). Alguns dormem; outros comem. Alguns berram com os amigos, empolgados com a viagem. Outros fitam seus próximos, assim como para si mesmos com um olhar entediado, apático.
Todos se dirigem para a ilha grega de Mykonos. Alguns já vestem o biquíni por baixo das roupas, com tênis, mocassins, ou papetes nos pés. Cada um conta com uma característica em particular, todos são visualmente diferentes entre si.
Há apenas uma semelhança, que todos compartilham: o desejo de sair de onde estão, e ir para algum lugar, qualquer lugar. Assim como para os tubarões, que só respiram quando estão em movimento, ficar parado para nós, seres humanos, não é uma opção.
Subo as escadas em busca de um pedaço de sol, no convés. Encontro várias pessoas em busca do mesmo, cansadas do ar-condicionado e ansiando por algum tipo de ambiente natural. Ao longe, as ilhas cíclades observam a passagem do barco. O que acharão de nós, pergunto eu. Decerto devem considerar que somos uns loucos. "Porque querem sempre ir para outro lugar, esses humanos?' elas devem se perguntar, enquanto continuamos nossa busca frenética por algo, por alguém.
Encontro uma cadeira no convés e sento para apreciar a paisagem. Duas inglesas sentam ao meu lado. Parecem felizes com suas roupas leves e sandálias. Mas não observam a vista. Preferem conversam sobre o que farão em Mykonos.
E o sol bate em meu rosto, meus cabelos. Não sei porque, mas me sinto agradecida por esse momento. Um momento ínfimo, e ao mesmo tempo, infinito, em que não penso em nada de importante, no que vou fazer, para onde vou.
Meus pensamentos apenas giram em torno do mar, em meio às ilhas, e meditam como o sol brilha de forma magnífica no mar Egeu pela manhã.
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