Não importa em quantos lugares virtuais nos escondamos: as tranqueiras sempre nos encontram.
Renovei minha presença no Twitter há uns dois meses. Já tinha senha e login do serviço há uns dois anos, mas parei de usar porque não conseguia ver utilidade em todos saberem o que estou pensando/fazendo a cada segundo. Primeiro porque não é nada interessante; depois, porque acreditava firmemente que o resto do mundo tem mais o que fazer em suas vidas. Então esse ano, surpresa-surpresa: continuo achando meus post desinteressantes; mas descobri que o resto do mundo não tem mesmo mais o que fazer, e acessa o serviço, seguindo os passos de pessoas inexpressivas como eu.
Na verdade, reencontrei meu eu-twitteiro após insistência de uma amiga. E depois renovei esforços em permanecer on-line no portal inútil porque, surpresa-surpresa: descobri uma utilidade para ele. Tenho uma grande, grande amiga que mora em outro estado e trabalha em uma empresa malvada, que bloqueia Orkut, MSN e outros serviços de mensagens instantâneas, até mesmo portais de e-mail gratuitos. Mas a empresa ainda não descobriu o Twitter! Então, uso como se fosse um MSN para me comunicar com essa amiga, e também para saber como vai a vida dela, seu dia a dia.
Todos os dias fico impressionada com o monte de senhas que tenho que lembrar para entrar em vários sites que, como dizia o Calvin, do “Calvin e Haroldo” (aquela antiga tirinha de jornais, do tempo em que as tirinhas de HQs dos jornais tinham coisas realmente engraçadas e interessantes para dizer) “nunca tinha ouvido falar e nem têm utilidade, mas preciso desesperadamente”. É Orkut, MSN, Yahoo, hotmail, e agora o Twitter, todo santo dia. E pra quê isso tudo, pergunto eu, ao mesmo tempo que persigo na Internet outras maneiras de me viciar em outros bagulhos/progamas/sites de relacionamento que pipocam todos os dias na Internet.
Acho que o avanço desses trecos nos computadores pessoais tem muito a ver com os dizeres daquela antiga propaganda, “eu-tenho-você-não-tem”. Quando todo mundo tem, e todo mundo começa a falar com o resto do mundo que não tem, o resto do mundo fica ansioso e começa a querer também. É como uma grande bola de neve, que vai gradualmente se transformando, e aumentando até alcançar proporções globais.
Outro exemplo de avanço desenfreado pela Internet é a profusão dos blogs. Todo mundo quer ter um; está em vias de ter um; ou pensa em ter um. Na pior das hipóteses, é leitor de pelo menos um blogueiro. Uma pena que, entre tantos que são escritos a todo o momento, pouquíssimos são lidos. Contamos com a ajuda de amigos, que, para não ficarem de mal com a gente, acabam realizando o sacrifício de perder um pouco de seu tempo em ler algumas mal traçadas linhas virtuais.
Essa introdução toda e lenga-lenga infindável começou a se formar na minha cachola quando descobri hoje que estou sendo seguida por “awesomeman”. Peço desculpas aos meus amigos homens, mas conheço poucos que são “awesome” e nenhum é usuário do twitter. Ao tecer esses pensamentos lógicos em minha mente, cheguei a conclusão que não conheço a figura que está me seguindo.
Entro no perfil do ilustre desconhecido e descubro que os posts dele, no twitter, na prática, não são o passo a passo histérico e cotidiano de uma vida normal de um indivíduo, e sim um monte de anúncios, um coladinho no outro, de sites que vendem desde tupperware até CDs usados.
Comentando o fato com um amigo no MSN, ele suspirou (virtualmente) e balançou a cabeça de sua carinha-amarela-padrão-de-conversa-instantânea:
“O mal nos encontra em qualquer lugar...”
quarta-feira, 24 de junho de 2009
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Sejamos sinceras. Uma crônica por dia é impossível!
ResponderExcluirAgora, cá entre nós, uma por mês tb já é preguiça demais, nénão?!
Quando é que você vai contar para o mundo o seu parentesco ilustre? O momento é agora! O homem está uptodate again!
E a bolsada no bandido do terminal capelinha? Esqueceu?!
E o xis nas costas na inauguração do Cebolinha? Deletou?!
E as histórias da sua amiga honduromineira? Esqueceu do celular voador na partida de war? Cadê os seus textos?????