Uma das coisas que mais me surpreenderam quando viajei esse ano pela primeira vez para o exterior foram os banheiros estrangeiros, e de como a localização da descarga é completamente diferente, a depender de onde você está. Em julho, estive na Grécia e na Espanha, em cinco localidades diferentes; Atenas, ilha de Mykonos, Madri, Toledo e Segóvia. E o leitor pode apostar que, em cada um desses lugares, a descarga tinha um feitio único , incomparável.
Em Atenas, o botão da descarga ficava muitas vezes no chão, bem escondidinho, tanto nos restaurantes como no aeroporto, e em alguns museus. Muito higiênico e inteligente, mas algo bem novidadeiro para uma latina-americana como eu. Para você entender a dificuldade de encontrar um botãozinho no chão, nesses momentos, deixe-me explicar uma coisa. Existe algo chamado memória tactual. Sério mesmo. Seus membros, às vezes, lembram das coisas antes de você. Então, quando se está no banheiro, precisando encontrar o botão da descarga, você pensa que é uma coisa a se fazer com as mãos, e não com os pés. Então, ‘bora perder uns cinco minutos tentando entender como a descarga poderia ser acionada? Pois é, isso aconteceu comigo lá, várias vezes. Como se parte da viagem para conhecer novos lugares também incluísse um tour pelas tecnologias avançadas dos banheiros (parênteses: o botão para acionar a torneira do lavabo também ficava no chão...)
Em Mykonos, a descarga era uma das mais inventivas: era um botão ao lado da caixa d’água que ficava em cima da privada. Nesse caso, não tive muita dificuldade para encontrar porque aproveitei o conhecimento alheio: minha amiga que viajava comigo perdeu seu tempo tentando achar o botão da descarga, e assim que descobriu, foi gentil o suficiente para me repassar tão valiosa informação. Mas em uma taverna em “Little Venice”, região agradabilíssima de restaurantes e barzinhos que ficam à beira-mar da ilha, o dono foi sensacional em sua tentativa de ser compreendido: marcou na parede várias setas até o botão, para facilitar o acesso do usuário.
Nas cidades de Madrid, Toledo e Segóvia, os botões para descarga eram discretíssimos, e completamente escondidos na caixa d’água que normalmente se posicionava acima da privada. O nojento dessa situação é que, se você não sabe onde está o botão, e não percebe em um primeiro momento, só com o olhar, a opção é ficar tateando a caixa (urc!). Alguns botões ficavam atrás da caixa d’água! Como ver isso de cara? Impossível. A única coisa boa na Espanha foi perceber que, além do Brasil, outro país também ainda tem banheiros com cordinha na caixa d´água, que nesses casos ficava sempre presa na parede, quase tocando o teto. Assim como no Brasil, o estado da cordinha, em termos de conservação e limpeza, era sempre lamentável.
Sinceramente, sem querer ser bairrista, mas acho nossas descargas melhores. Além de não ter que esperar décadas para a caixa d’água encher de novo, e assim poder acionar a descarga duas vezes seguidas, se assim preferirmos, o botãozinho na maioria das vezes é no centro da parede, bem visível e auto-explicativo. Mantenha a simplicidade, digo eu. É sempre melhor.
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