quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Maquiagem

É mais ou menos de conhecimento do público feminino que as mulheres européias e norte-americanas usam mais maquiagem no dia-a-dia do que as brasileiras. Mas ter esse conhecimento, e visualizar esse conhecimento, comprová-lo com os olhos, são duas coisas bem diferentes. Tive a oportunidade de ir para a Grécia e para a Espanha recentemente, e posso dizer com certeza que daria para pintar um quadro do tamanho de Guernica do Picasso com o tanto de tinta que as européias jogam no rosto.

Não me levem a mal, eu amo maquiagem. Uso todos os dias lápis e batom, religiosamente, com direito a retoques oficiais na hora de escovar os dentes após o almoço. Mas creio que há maquiagens e há maquiagens; e como diria minha mãe, há uma hora certa para tudo. E não vejo como você se maquiar como uma coadjuvante de “Priscila, a Rainha do Deserto” às oito da matina em um metrô pode ajudar a elevar seu padrão de beleza.

Em primeiro lugar, pelo que pude entender por meio de observações acuradas, não existe esse negócio de maquiagem leve no verão. Na verdade, não existe maquiagem leve na Europa, da forma como a conhecemos aqui. Sair de manhã para trabalhar apenas com lápis e batom não é opção para as européias, principalmente as gregas. Você precisa estar de sobrancelhas pintadas; sombra; rimmel; lápis; blush; base líquida e batom com cor forte. Isso tudo com os relógios marcando temperaturas próximas a 40 graus Celsius! Graças ao ar seco no continente europeu, em particular em Atenas, é possível sair com tudo isso na cara sem ficar toda melecada no rosto e parecer o Coringa do Heath Ledger ao final do dia.

Até aqui, ok, eu entendo, elas gostam de se maquiar, de maquiagem, devem ter brincado muito de Barbie Face quando crianças (parênteses: lembram da Barbie Face? Meu sonho de consumo quando era mais nova...eu não tinha o brinquedo, mas fiz amizade com uma garota chata no meu prédio em Inhaúma, só para brincar com a Barbie Face dela...). Muito bem, cada um com seu cada um.

Mas imaginem toda a maquiagem possível em uma mulher que não está no metrô, indo para o trabalho às oito da matina, e sim na PRAIA? Sentiu o drama?

Vocês vão me dizer, oras, tem make-up water proof, todo mundo sabe disso, yata-yata-yata. Entretanto, tenho que dizer uma coisinha para vocês, amigos leitores: nem todo mundo tem grana para maquiagem a prova d’água, que lá nas ôropa é quase tão caro quanto aqui.

A prova disso se deu durante um mergulho enquanto estava na praia de Elia, na ilha de Mykonos. Enquanto ficava nadando de um lado para o outro naquela aguinha azul limpinha e geladinha fui surpreendida por um guaxinim vindo na minha direção. Ora, guaxinins não nadam, pensei eu distraidamente (parênteses: nadam? Não tenho a mínima idéia...). Cocei os olhos para ver melhor e percebi que não era um guaxinim, e sim uma moça loira, linda, com duas manchas pretas enormes ao redor dos olhos, que eram o rimmel, a sombra e o lápis que ela tinha passado no olho antes de ir para a praia. Enquanto saía da água em direção à areia, ela tentava tirar a maquiagem dos olhos com água do mar, com a ajuda de uma canga. Mas o que acabava por fazer mesmo era espalhar ainda mais o borrão preto ao redor dos olhos, ao ponto de parecer Silvester Stallone no final do filme “Rocky o Lutador”.

Acho que a maquiagem devia ressaltar nosso rosto, não escondê-lo. Temo que algumas européias, na ânsia de se tornarem mais belas, acabam construindo uma máscara com a maquiagem, que nem sempre reflete o brilho feminino que todas temos dentro de nós.

Mas é só a minha opinião, claro. (:

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