quarta-feira, 27 de maio de 2009

Plantar é uma arte

Nunca fui muito boa com plantas. Minto. Sempre fui péssima com plantas. Matei todas as que tentei ter, ao ponto de, quando me mudei da casa de meus pais, minha mãe ter dado um presente de despedida: uma orquídea...de plástico. Mães realmente conhecem a gente.

Mas minha falta de jeito com plantas nunca impediu que eu admirasse os outros que conseguiam fazê-las viver, por anos a fio. Minha mãe, dona Nair, é uma delas. Quando éramos crianças, tínhamos violetas, e todos os outros tipos de plantas pequenas para se ter em casa. É claro, éramos adeptos das samambaias também (parênteses: onde foram parar as samambaias? Lembro que, quando era pequena, toda casa em que eu entrava tinha uma samambaia chorona em algum canto. Será que é um hábito dos subúrbios? Ou era moda ter samambaia na década de 80?).

Li um livro que me impressionou muito quando tinha uns 12 anos: “O menino do dedo verde”. Tistu era um garotinho que não podia tocar uma terrinha, que lá crescia uma plantinha. Tentei isso várias vezes, mas tudo que consegui foi sujar absurdamente as mãos de terra e levar bronca da minha mãe por revolver o quintal comunitário do prédio onde morávamos, em Realengo.

Hoje, visto que sou dona da minha própria casa pela primeira vez na vida, resolvi tentar apagar meu péssimo histórico com plantas, e arrumar um ser vivente para ficar na minha casa. Ok, admito que o que eu queria mesmo era um cachorro ou um gato. Mas se sou péssima com plantas, imagine criar um animal de estimação. Então, comecemos com coisas mais simples, pensei eu.

No centro do Rio, há trocentas lojinhas que vendem plantas, e até mesmo ruas especializadas nisso. É o caso da rua ao lado da Igreja do Carmo, no começo da rua Primeiro de Março; e a chamada Rua do Verde, perpendicular à rua sete de setembro. Bom, fui nessa última. Comecei a explicar ao vendedor de uma das lojinhas todo meu histórico com plantas, e como queria uma planta forte, que não morresse facilmente. Tive a idéia de ver quanto era uma planta chamada “Pau d’água”, muito bonita, e cujo exemplar eu já tinha admirado em um dos setores do meu trabalho. E perguntei ao atendente, que me ouvia calado, quais seriam as outras plantas “fortes” que ele me recomendaria.

E ele respondeu da seguinte maneira:

“Quem tem mão ruim com planta mata qualquer coisa, independente da planta ser forte ou não.”

Fiquei muda com o choque das palavras. Ele depois falou para eu ficar a vontade para ver qualquer coisa que eu quisesse, mas já tinha perdido o tesão pela loja e também por comprar plantas naquele dia.

Apesar de ter considerado o atendente um grosseirão, em um primeiro momento, tentei me colocar no lugar dele. Ora, ali estava um homem que gostava de plantas, diante de uma pessoa declaradamente assassina de plantinhas. E como se não bastasse, ia levar uma de suas amadas delicadas para casa, e possivelmente vitimá-la fatalmente, devido a suas parcas habilidades.

Pensei que talvez ele estivesse certo. Plantas não são para mim mesmo. Afinal, quantas eu já matei até agora? Isso quer dizer alguma coisa não é?

Então, quando cheguei em casa. olhei para a grande orquídea de plástico que está na minha mesa da sala.

Mudei de idéia. Decidi que, se não nos convencermos que podemos mudar quem somos, não poderemos mudar absolutamente nada no mundo em que vivemos. E precisamos tanto, tanto de mudanças...!

Vou comprar uma orquídea. E tentar fazê-la viver o máximo que eu puder. Não vou pensar que vou matá-la; vou imaginar que ela vai viver, e dar alegria à minha casa, tão cheia de plantas de plástico. Porque, acho que tentar já pensando em perder é pior do que nunca ter tentado.

Um comentário:

  1. Recomendação simples, como eu: se tem sol no nome é só oferecer sombra e água fresca que ela sorrirá pra você. Se não tem sol no nome, é pq ela precisa de um pouquinho de sol pra ser feliz. Agua uma vez por dia e nada mais.

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