terça-feira, 12 de maio de 2009

Bisbilhotando no Supermercado

Sou muito intrometida quando vou ao supermercado. Isso porque, como moro sozinha, sempre faço compras sozinha e, quando estou na fila para pagar, começo a observar, por distração, os carrinhos de compras dos outros. E começo a conjecturar que vida cada um deve levar, tendo em vista os produtos a serem comprados por cada pessoa.

Tem sempre o cara ou mulher que eu chamo de “o solitário que não sabe cozinhar”. São os que tenho mais pena. Ele ou ela sempre tem no carrinho um monte de comida enlatada ou pronta de supermercado, ou então aquelas refeições de microondas. E, é claro, um monte de refrigerante e/ou cerveja. Isso eu já notei: esse tipo de cliente sempre leva bebidas não muito saudáveis. Para compensar a solidão, talvez?

É claro que temos, também, “as famílias grandes que enchem dois carrinhos para compra do mês e são um terror da demora quando ficam na sua frente na fila”. O (s) carrinho (s) desses clientes é impressionante. Dava para matar a fome de um pequeno país africano com a comida que compram. E a quantidade de papel higiênico? Dava para escrever um livro com a quantidade de papel. Gosto muito de olhar para esses carrinhos porque também sempre tem uma criancinha sentada ou pendurada no carrinho, segurando ou um chocolate, ou um biscoito ou qualquer outra coisa que os pais tenham dado para o bebezinho parar de sair correndo e brincando pelos corredores do supermercado.

Temos ainda “os caras ou mulheres de grandes eventos de fim de semana”. É aquele grupo, normalmente de homens, que enchem o carrinho de carne, cerveja, carvão e cachaça, para o churrascão de final de semana. Se você parar para prestar atenção, é muito divertida a conversa desse grupo. Tem sempre um cara ou garota no celular tentando convencer alguém “parar de ser otário e se arrumar para o churrasco” e acrescentando que vem “fulano, siclano, até o primo de São Paulo” para evento. Algumas vezes eles já começam a beber na fila, e jogam as latinhas de cerveja no carrinho (ou não) para posterior conferência e pagamento.

E não podemos nos esquecer "da cliente ou do cliente natureba 100%” cujo carrinho me dá nos nervos. Porque absolutamente tudo é saudável. Só tem frutas, legumes, peixe fresco, cereais, no máximo água gaseificada, e nem sombra de refrigerante, nem mesmo diet. Esse tipo de compra me deixa incomodada porque sei que a pessoa, normalmente uma mulher magérrima, está fazendo exatamente o que eu deveria fazer - mas sempre acho uma desculpa absolutamente deliciosa para não fazê-lo -, que é comer direito.

Por fim, chegamos à minha pessoa: “a solitária que gosta de cozinhar”. Gosto muito dessa pessoa, particularmente (eh!). Isso porque a variedade de itens no carrinho dessa pessoa vai desde cogumelos a pano de prato. No carrinho tem sempre muita coisa para fazer pratos completamente malucos, cujas receitas ainda não foram escritas e são inventadas de acordo com a disponibilidade de itens comestíveis. Tem sempre também quatro tipos de bebida, de leite a suco de laranja, porque essa pessoa é tão indecisa que nem sabe o que vai querer beber nos próximos dias. O gosto não segue um padrão definido. Na verdade, padrão definido não é o que se deve esperar dessa pessoa. E a quantidade de comida é sempre muito além do que ela vai consumir. Isso porque está sempre dando jantares surpresa-relâmpago e gosta de estar preparada para qualquer eventualidade.

E mais um detalhe: sempre tem uma garrafa de vinho nesse carrinho. Para ser consumido com os amigos, claro!

O único problema é que essa pessoa acaba gastando mais do que precisa no supermercado e acaba quase sempre repassando comida para a diarista. Mas não tem problema. Gosto dela mesmo assim.

Um comentário:

  1. e aquelas que vão ao supermercado pra se distrair. Será que são loucas?
    aquelas que ficam felizes só de empurrar o carrinho pelos corredores, olhar as novidades nas gôndolas e, num momento de extrema ousadia, coloca uns importados no carrinho só pra ter aquela sensaçãozinha boa, nem q seja pra devolver tudo depois ou abanonar o carrinho cheio em algum corredor (num lapso de bom senso).

    ResponderExcluir